Fórum para troca de informações sobre projeto, monografia do Curso de Psicopedagogia da Universidade do Sagrado Coração - Bauru/SP

Tags: educacao psicologia pedagogia bauru sao.paulo
30/04/2003 22:01
De: Márcia
IP: 200.210.217.15

Fórum

   Estou concluindo a Psicopedagogia em Botucatu e gostaria de ter mais informações sobre as pesquisas que estão sendo realizadas em Bauru.
               Saudações,
                           Mah
31/03/2003 19:44
De: Rosa (trecy@bol.com.br)
IP: 200.100.154.186

Sobre livro Brinquedoteca

Este livro apresenta temas atuais relacionados com o lúdico em diferentes abordagens, oferecendo ao seu leitor uma visão geral sobre brinquedoteca desde a sua origem até o acervo lúdico atual. Permite aprofundar temas específicos como usos e significações dos jogos e brinquedos, a resiliência, as origens da capacidade simbólica, os jogos tradicionais, a criança e o computador e ainda possibilita conhecer diferentes experiências através dos relatos de brinquedotecas de universidades, hospitalares, comunitárias e escolares, que. certamente, contribuirão para o aprofundamento do tema.
Este livro é resultado de experiências e pesquisas na área lúdica, apresentadas no III encontro Sul-brasileiro e I Internacional sobre Brinquedoteca, realizado pelo Núcleo de Desenvolvimento Infantil do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria.
O livro foi dividido em quatro partes enfocando palestras, mesa-redonda, relatos de experiências e convívio científico. nas palestras aparecem questões relacionadas à brinquedoteca brasileira desde a sua origem, objetivos e novos paradigmas. Brinquedos e brincadeiras, seus usos e significações dentro de distintos contextos culturais e sociais e sua relação com a pré-escola. A resiliência como capacidade de terum desenvolvimento sadio em um ambiente socioeconômico adverso, colocando o jogo como alternativa de realização pessoal. As origens da capacidade simbólica, enfocando o jogo não como uma característica predominante na infância, mas como um fator básico do desenvolvimento e da aprendizagem humana. Os jogos tradicionais como acervo lúdico das crianças da atualidade. A criança e o computador, uma nova forma de pensar a educação.
Na mesa-redonda o enfoque é a formação do brinquedista, seu perfil e seu aprendizado. Nos relatos de experiências, os trabalhos referem-se à brinquedoteca de universidade, mostrando o trabalho desenvolvido na Univesidade Federal de Santa Maria. A brinquedoteca hospitalar, que relata com bastante detalhe a brinquedoteca do Hospital Infantil da FAISA, de Santo André/ SP. A brinquedoteca comunitária apresenta um relato da Pastoral da Criança e outro do SESC/Alegrete/RS e, por último, a brinquedoteca escolar mostra um trabalho de parceria SESI/Prefeitura Municipal de Ibirubá/RS.      
02/04/2003 13:49
De:
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DEFICIÊNCIA, EDUCAÇÃO ESCOLAR E NECESSIDADES ESPECIAIS: REFLEXÕES SOBRE INCLUSÃO SOCIOEDUCACIONAL

DEFICIÊNCIA, EDUCAÇÃO ESCOLAR E NECESSIDADES ESPECIAIS: REFLEXÕES SOBRE INCLUSÃO SOCIOEDUCACIONAL
MARCOS JOSÉ DA SILVEIRA MAZZOTTA
Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie
 
 
APRESENTAÇÃO
Com o intuito de contribuir para as discussões sobre inclusão escolar, particularmente de alunos que tenham deficiências físicas, sensoriais ou mentais, reunimos três textos nesta publicação.
O texto 1, Edificação Especial : Realidade e Tendências, foi transcrito de fita de vídeo, gravada em 2 de abril de 1998 no I Ciclo de Debates Multiprofissionais sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência, promovido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
 
O texto 2, Deficiências, Incapacidades e Necessidades Especiais, resultou de ampliação de texto elaborado para integrar o Relatório de Pesquisa apresentado em março de 2001, ao Fundo MACKPESQUISA.
 
O texto 3, Dilemas e Perspectivas da Educação do Portador de Deficiência no Novo Milênio, foi apresentado em Conferência no Fórum Nacional de Educação organizado pela Pós-Graduação da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, dia 15 de julho de 2001.
 
Tais textos contêm uma parcela de nossa busca de melhor compreensão das terminologias e concepções, presentes nas políticas e práticas sociais, dirigidas às pessoas com deficiências.
Frutos de estudos sobre questões políticas e administrativas da educação brasileira, as reflexões aqui registradas têm permeado os conteúdos por nós abordados nas disciplinas Políticas Sociais de Atendimento às Pessoas com Deficiência e Inclusão e Marginalização Social e Escolar, integrantes do Programa de Pós-­Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
 
EDUCAÇÃO ESPECIAL: REALIDADE E TENDÊNCIAS[1]
Procurando manter-me dentro do tempo e do papel de coordenador desta mesa redonda, pensei em fazer pequenos recortes em alguns dos textos que venho escrevendo e publicando, ao longo destes anos, para trazer uma contribuição, ainda que modesta, a este debate.  Inicialmente é preciso dizer que acredito inteira e piamente na importância e na necessidade da inclusão de todos os cidadãos na sociedade humana e não apenas na brasileira.  Não fosse esta crença inabalável, eu não estaria teimosamente até hoje trabalhando com educação e de modo particular com educação especial, desde os dezenove anos de idade.  Hoje, com cinqüenta e três anos, tenho ouvido comentários e considerações sobre inclu­são como algo que se está descobrindo de uns dias, meses ou poucos anos para cá.
Evidentemente, a importância da atenção de todos os seres humanos, profissionais ou não, para a questão da inclusão, como bem disseram as expositoras que me antecederam, deve dar-se de modo a situá-la, não apenas no âmbito da escola ou da educação, mas, no âmbito muito mais amplo da sociedade.
Por outro lado, nós temos ouvido, com certa apreensão e com grande temor, referências a esta palavra, que surge no cenário educacional brasileiro, como se mais uma moda fosse.
Alguns anos atrás, em 1993, comentei, em um Seminário no Sul do país, que estávamos correndo sério risco de tratar a integração de portadores de deficiência na escola como um simples modismo.  Interessante notar que, passados tão poucos anos, quase já não se fala mais em integração.  A integração já está sendo entendida por alguns, felizmente parece que para poucos ainda, como algo que se supõe ultrapassado.  Fala-se hoje em inclusão.
Contrariando esta tendência, não falarei muito sobre inclu­são, justamente porque, como disse, há muito tempo venho discutindo a necessidade e defendendo a importância de cada cidadão estar junto com os demais em todos os contextos da vida social.
Entendo que a inclusão é a base da vida social onde duas ou mais pessoas.se propõem a, ou têm que, conviver; já que muitas vezes o convívio não depende apenas da vontade individual.  E, conviver implica a presença de duas ou mais pessoas.  Assim pensando, vou apenas fazer um recorte em trabalhos meus, esperando poder trazer algumas considerações, ou reminiscências para alguns, a fim de que possamos ver que não somos tão pioneiros quanto muitas vezes podemos parecer.
Aqui ao meu lado temos a professora Rosita Carvalho que está, tanto ou mais que eu, dizendo essas mesmas coisas.  Temos, também , a professora Marilene Ribeiro dos Santos que está com este encargo, mais do que cargo (de Secretária de Educação Espe­cial), tão importante em nosso país porque acredita de fato nisto.
Agora peço licença a todos para retomar aqui um pequeno trecho em que transcrevi uma parábola que brilhantemente aparece num texto, de um diretor do Serviço de Educação Especial de Illinois, nos Estados Unidos, escrito em 1961. E eu aqui vou repeti-la. Está no meu livro Fundamentos de Educação Especial, editado em 1981. Tal parábola envolve certo homem e o diabo:
Passavam ambos por uma rua de movimentada cidade, quando vi­ram um homem alcançar e agarrar no ar uma idéia bela e válida.
- Você viu?  Não está com medo ?  Uma boa idéia pode crescer tanto e tornar-se tão poderosa a ponto de destruir você, disse o compa­nheiro do diabo; ao que este respondeu:
- Não, não tenho medo.  Eles primeiro darão um nome à nova idéia.  Em seguida irão organizá-la e promovê-la.  Então, surgirão tantas idéias sobre a forma de utilizá-la que se estabelecerá a controvérsia e a confusão entre eles.  A boa idéia , enfraquecida, será destruída por si mesma.  Não, ela não me causa medo (MAZZOTTA, 1981, P. 9).
Terminada esta pequena estória, lembro a vocês que a histó­ria da educação está repleta de boas idéias.  Uma dessas idéias é justamente Educação Especial.  E, aqui é importante lembrar que o desenvolvimento da educação especial está estreitamente ligado à preocupação dos educadores com o atendimento das necessidades educacionais daqueles alunos que não são beneficiados com os re­cursos educacionais comuns e que precisam de recursos especiais para suplementarem os existentes.  Desta forma, a educação espe­cial não se justifica a não ser como facilidades especiais que não estão disponíveis na escola comum e que são essenciais para de­terminados alunos (MAZZOTTA, 19 8 1, p. 11).
Trago agora um recorte de texto que consta de outros traba­lhos meus, mas que também está neste livro de 1996, Educação Especial no Brasil, onde destaco o seguinte:
Não poucas vezes, diversas situações identificadas como de educa­ção especial nada têm de especial e outras, ainda, sequer poderiam ser consideradas educacionais.  Em cada contexto da educação espe­cial formal há que serem definidas as especificidades que se preten­de garantir e os meios para tal. É preciso, através de estudos cientí­ficos,  procurar conhecer melhor a clientela que está sendo atendida, bem como a que se encontra fora do atendimento organizado, a fim de se atuar no sentido da provisão dos recursos necessários para o bom desempenho desta modalidade de ensino, no conjunto das ações voltadas para a universalização do ensino fundamental (MAZZOTTA, 1996, p. 200).
Aqui volto-me para outro trabalho concluído em 1984, pu­blicado em 1987, há mais de dez anos portanto, onde eu dizia o seguinte:
Atualmente, o pensamento educacional tem apontado para a direção da elaboração de um currículo "especial" para cada escola, no sentido de que cada uma configura uma realidade específica, determinada pela combinação dos fatores internos e externos que atuam na sua organização e funcionamento.  Tal currículo deve ser "especial", no sentido de que deve ser elaborado para atender às necessidades únicas de cada escola do sistema de ensino, em função das reais necessidades de seus alunos, e não para atender categorias ou tipos idealizados de alunos.
À medida que essa idéia for, de fato, sendo concretizada, é possível que as diferenças entre educação comum e educação especial irão também diminuindo.  E, nessa tendência, poder-se-á checar ao ponto em que o que há de especial na "educação especial" e, conseqüentemente, no "currículo especial" se converta em um dos elementos de um ação socioeducacional global, que assegure, na medida necessária, o interesse por cada membro da comunidade, seja qual for sua condição e o tipo de auxilio que necessite (MAZZOTTA, 1987, p. 118). [...] Assim como não há razão para dicotomizar a educação escolar em comum e especial, fracionando-a e rotulando-a em tan­tos ramos quantos forem os supostos tipos diferentes de alunos, tam­bém não se justifica separar radicalmente as condições e possibili­dades da escola das condições sociais e políticas gerais (MAZZOTTA, 1987, p. 119).
Um olhar cuidadoso para a Educação Especial no cenário educacional brasileiro nos permite constatar que esta tem sido tra­tada quase sempre como serviço à parte ou à margem da Educação Geral.
Nos últimos anos tem havido, de fato, certo esforço no senti­do de incluí-Ia como alternativa de educação escolar no contexto da Educação Geral.  No entanto, do meu ponto de vista, tal circuns­tância tem sido prejudicada por estarem ainda os educadores, ad­ministradores e legisladores voltados apenas para os elementos e fatores intra-escolares, esquecendo-se do contexto social, econômico e cultural em que se inserem.  Daí surgirem propostas e programas irrealísticos que, mais do que contribuir para a melhoria de sua qualidade, podem contribuir para sua deturpação e extinção.
Referências
MAZZOTTA, Marcos J. S. Educação Escolar: comum ou especi­al? São Paulo: Pioneira, 1987.
. Educação Especial no Brasil: história e políticas públi­cas.  São Paulo: Cortez, 1996.
. Fundamentos de Educação Especial.  São Paulo: Pionei­ra, 1981.
DEFICIENCIAS, INCAPACIDADES E NECESSIDADES ESPECIAIS[2]
A complexidade e as controvérsias que envolvem este tema, impõem o esclarecimento preliminar de que a sua abordagem no presente texto limita-se a algumas considerações sobre a Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (Handicaps) - CIDID, documento aprovado pela Organização Mundial de Saúde e traduzido em quatorze idiomas sem contudo ter merecido a devida divulgação entre nós.
Considerações sobre o Manual de Classificação das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens, documento publicado oficialmente em 1980 pela Organização Mundial da Saúde - CIDID-1 (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 1989)
Com o propósito de contextualizar e caracterizar apropriadamente este importante documento da Organização Mundial de Saúde (OMS), é oportuno esclarecer que, embora tenha um caráter de ensaio, sua edição foi fruto de profícuas discussões havidas nos anos 70 sob os auspícios da OMS.  Aprovada inicialmente em caráter experimental, sua edição em língua inglesa ocorreu em 1980 em decorrência de Resolução, da Assembléia Mundial de Saúde, de maio de 1976.  Tal edição recebeu o título International Classification of Impairments, Disabilities and Handicaps.
No prefácio da edição portuguesa, de 1989, destaca-se que embora com oposições pontuais, houve um consenso na tradução para o português, respectivamente, por deficiência, incapacidade e desvantagem (handicap).
Importante salientar que esse documento tem o propósito de contribuir para a promoção da uniformidade de conceitos e terminologia de caráter geral.
Foi seu relator e autor do prefacio o Dr. Philip Wood, de Manchester, Inglaterra.  Há a importante observação de que embora se considere sua utilização fundamentalmente pelos serviços de medicina, reabilitação e seguridade social, apresenta-se como de interesse para as áreas mais amplas das políticas sociais como educação, emprego e habitação.
Ainda que em certo sentido possam se registrar problemas relacionados a dificuldades impostas por quaisquer esquemas de classificação, muitas vezes em decorrência da arbitrariedade de critérios, utilização dos modelos médico e social aparentemente de forma estanque, dificuldades inerentes à própria tradução dos termos mais significativos, sua relevância parece-nos incontestável para uma reflexão mais rigorosa sobre as questões ligadas à deficiência e à pessoa com deficiência.
Basicamente, o manual discute três classificações, correspondendo cada uma a um nível específico de conseqüências de doenças.  Portanto, situa-se no âmbito da saúde.  Resulta do entendimento consensual da necessidade de se recorrer a normas complementares para descrever as modificações da função social da pessoa causadas pela doença: a de ciência, a incapacidade, e o handicap.  Reitera a necessidade e a importância de se pesquisar melhor as deficiências, suas causas e conseqüências, bem como os meios para reduzir suas repercussões sociais.
Ampliando a discussão sobre as definições, o manual apresenta algumas situações práticas para ilustrar a importância da integração dos conceitos.  Assim, embora apresente um gráfico mostrando toda a seqüência de tais situações, alerta para o fato de que uma interpretação de progressão linear seria equivocada.  O gráfico é o que vem a seguir:
Doença ou perturbação
Dericiência
Incapacidade
Desvantagem ou handicap

---->
----->
------>
 
situação intrínseca
exteriorizada
objetivada
socializada

Alerta, também, que " uma desvantagem (handicap) pode resultar da deficiência sem passar pelo estado de incapacidade", assim como pode ocorrer uma deficiência sem que haja incapacidade ou, ainda, ter uma incapacidade sem que haja uma desvantagem (handicap).  Um grau variável de influência pode ocorrer na direção inversa da seqüência.  Assim, certas desvantagens (handicaps) podem engendrar não apenas incapacidades, como também deficiências.
Na exposição de motivos para a aplicação de um referencial conceptual unificado às conseqüências da doença, o documento destaca dificuldades relacionadas à terminologia, lembrando que a maioria dos termos têm o significado atribuído ao senso comum.  Os conceitos relacionados com incapacidade e desvantagem têm sido insuficientemente estudados e pouco incorporados na prática sistemática da linguagem especifica.
É proposto que se evite o uso da mesma palavra para identificar uma deficiência, uma incapacidade ou uma desvantagem, ao menos pelos profissionais.
Outro ponto destacado refere-se ao fato de que os três conceitos estão baseados na noção de desvios em relação à norma.  Para sua compreensão propõe-se três abordagens possíveis:
1 O conceito estatístico de "normal" e seus desvios pode ajudar em fenômenos quantitativos.
2 Para fenômenos não quantificados, nos campos da deficiência e da incapacidade, pode-se aplicar a abordagem normativa em referência a um ideal.
3 Com respeito a algumas incapacidades e à maioria das desvantagens, outras normas são determinadas pelas respostas da sociedade: as normas sociais.
Sobre os desvios da norma, particularmente a noção de desvantagem (handicap) social, há a orientação para que não se dilua o conceito de desvantagem (handicap) distanciando-o dos processos específicos relacionados à saúde dificultando sua caracterização.
A despeito das dificuldades de se determinar uma classificação de tais situações, especialmente pela possibilidade do aparecimento de estigmas ao se atribuir categorias e designações, elaborou-se um esquema de classificação, a CIDID (Classificação das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens ou Handicaps), complementar ao da Classificação Internacional de Doenças (CID), relativo a cada um dos três conceitos principais:
DEFICIÊNCIA: No domínio da saúde, deficiência representa qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica.
INCAPACIDADE:  No domínio da saúde, incapacidade corresponde a qualquer redução ou falta (resultante de uma deficiência) de capacidades para exercer uma atividade de forma ou dentro dos limites considerados normais para o ser humano.
DESVANTAGEM (HANDICAP): No domínio da saúde, desvantagem (handicap) representa um impedimento sofrido por um dado indivíduo, resultante de uma deficiência ou de uma incapacidade, que lhe limita ou lhe impede o desempenho de uma atividade considerada normal para esse indivíduo, tendo em atenção a idade, o sexo e os fatores socio-culturais (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 1989, p. 35-37).
Ao delinear as três classificações, são registrados esclarecimentos e justificativas para a adoção dos correspondentes Códigos: D (deficiências), 1 (incapacidades) e DV (desvantagens ou handicaps).  Com relação às deficiências, utiliza-se terminologia similar à da Classificação Internacional das Doenças (CID), incluindo em cada categoria a avaliação da presença ou ausência da deficiência.  Para as incapacidades procura-se prever a graduação das falhas de execução das atividades, indicando-se o grau de incapacidade e o prognóstico.
A estrutura do Código DV difere totalmente das classificações da CID.  Os itens são classificados em relação às condições de vida em que as pessoas com incapacidade podem se encontrar e não em função dos indivíduos ou clãs suas características.  Analisam-se as condições que podem colocar essas pessoas numa situação de desvantagem em relação às demais diante das normas da sociedade.  As dimensões das experiências de vida ali sistematizadas envolvem: orientação, independência física, mobilidade, ocupação, integração social e independência econômica.  Não há qualquer hierarquização dos códigos É importante assinalar que o referencial básico para conceituação da deficiência, apresentado nesse documento, CIDID, tem sido pouco divulgado, discutido e aplicado no Brasil.  Haja vista que não localizamos sequer uma edição em português em nosso país.
Revisão e utilização da CIDID-1
As principais críticas ao manual da CIDID referem-se à sua vinculação ao modelo médico e conseqüentemente ao diagnóstico médico.  Por exemplo, Rieser (1995, apud AMIRALIAN e outros, 2000), sugere que se adote o modelo social como central, propondo que se atente para as barreiras sociais relacionadas a preconceitos, estereótipos e discriminações e não necessariamente à deficiência.
Há autores que consideram o manual muito detalhista, enquanto outros entendem que deveria ser mais detalhado.  Em se tratando de documento normativo-propositivo para o domínio da saúde, muitos entendem que "a CIDID permite que profissionais da área se comuniquem sobre o nível de comprometimento que uma doença ou distúrbio acarreta para a pessoa" (AMIRALIAN et al., 2000, p. 1 00).
Oportuno lembrar que em 9 de dezembro de 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes como referência para as ações nacionais e internacionais relativas aos direitos de tais pessoas.  Nessa Declaração o termo pessoas deficientes refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência, congênita ou n,,~io, em suas capacidades físicas ou mentais.
Logo após a edição oficial da CIDID, a Organização das Nações Unidas (ONU) celebrou em 1981 o Ano Internacional das Pessoas Deficientes.  Em 3 de dezembro de 1982, pela Resolução n2 37/52, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou o Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência e em 4 de março de 1994 promulgou a Resolução n2 48/06 anexando as chamadas "Normas Uniformes sobre a Igualdade de Oportunidades para as Pessoas com Incapacidade".
Comentando sobre a verdadeira "batalha terminológica" em torno do assunto, autores como Viso (1994), Charpentier e Aboiron (2000) têm apontado a incoerência no emprego de termos e expressões referentes aos conceitos básicos dessa temática em diversos documentos aprovados pela ONU, o que também temos constatado nas nossas pesquisas em documentos nacionais e internacionais.
Nesse sentido, referindo-se às "Normas Uniformes", Viso (1994) considera que se as indicações contidas na CIDID tivessem sido contempladas, teria sido evitado um prejuízo de confusão lingüística no âmbito hispânico.  Por outro lado, esse mesmo autor comenta que a discussão terminológica "tem gerado uma espécie de consciência cívica e social em torno do problema da precisão lingüística, ao menos nos círculos de pessoas interessadas".  Outro ganho por ele apontado refere-se a uma relativa unificação terminológica nos textos legislativos e normativos.
Charpentier e Aboiron (2000) informam que a CIDID está sendo revistará há alguns anos por colaboradores de vários países.
Destacam que um ponto essencial, da revisão para elaboração da CIDID-2,  é evitar toda terminologia negativa.  Em artigo publicado em 2000, aqui citado, revelam expectativa da aprovação da CIDID-2 ainda em 2001.  No entanto, não temos informação se tal aprovação ocorreu.
Segundo tais autores, a nova classificação estaria estruturada em três dimensões: corporal (funções corporais, deficiências, estruturas corporais), atividades e participação.  Consideram grande avanço no enfoque conceptual e prático, pois, passou-se de uma abordagem estritamente médica para uma social que contempla os direitos e necessidades das pessoas com deficiência.
A fim de ilustrar a relevância da coerência terminológica e sua difusão, no âmbito das políticas sociais destacamos a definição esposada no recente Decreto Federal nº 3298/99:
DECRETO nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999.
Regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida, as normas de proteção e dá outras providências.
Artigo 3º- Para os efeitos deste Decreto, considera-se:
I -deficiência - toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gere incapacidade para o desempenho de atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano;
II - deficiência permanente - aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III -incapacidade - uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida.
A clarificação e entendimento dos modelos teóricos, médico, social, ou sua combinação, bem como a terminologia a eles associada é de suma importância para a definição e execução das políticas sociais de atendimento às pessoas com deficiência.  Sua contextualização na dinâmica da vida social é um imperativo da sociedade democrática e da cidadania.
Referências
 
AMIRALIAN, Maria Lúcia T. M. et al.  Conceituando deficiência. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 97-103, fev. 2000.
CHARPENTIER, P.; ABOIRON, H. Classification Internationale des Handicaps.  Encycl.  Méd.  Cliir (Editions Scientifiques et Médicales Elsevier SAS).  Kinésithérapie-Médicine PhysiqueRéadaptation, Paris, 20-006-B-10, 2000.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE.  Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (Handicaps): um manual de classificação das conseqüências das doenças.  Lisboa: Secretaria Nacional de Reabilitação, 1989.
VISO, Manuel Garcia.  La traducción española de los términos relacionados con Ia discapacidad en los textos de Naciones Unidas. Boletín del Real Patronato, Madrid, 28 ago. 1994.
DILEMAS E PERSPECTIVAS DA EDUCAÇÃO DO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA NO NOVO MILÊNIO[3]
Na qualidade de cidadãos contemplados com a condição de participantes da passagem para um novo século, é fundamental que nos revigoremos para a grande empreitada que se inicia, no sentido de refletirmos, agirmos, caminharmos coletivamente, tanto quanto for possível, deixando para trás os ranços viscosos que possam retardar nossa busca de dias melhores.
O que nos conduziu e tem nos movido ao trabalho docente e à realização de estudos sobre educação escolar é a crença na importância de nossa participação ativa na consolidação de uma escola de qualidade para todos os brasileiros, principalmente no que se refere ao ensino público fundamental.  A possibilidade de estar nesse Fórum Nacional de Educação consubstancia rica oportunidade de compartilharmos, conhecimentos, reflexões, experiências, com companheiros que acreditam e atuam na construção de uma escola que considere a diversidade dos alunos na edificação da cidadania e de uma sociedade melhor.
É com tal entendimento que procuraremos trazer algumas considerações para nosso diálogo.
Abordaremos alguns dilemas que envolvem as pessoas com deficiências[4] em suas relações com a educação escolar, bem como algumas perspectivas para sua compreensão de modo a favorecer a melhoria das condições estruturais e conjunturais de sua realização.
A prática de classificar por dicotomia a educação escolar, em regular ou comum e especial, bem como os educandos, em deficientes e não-deficientes, tem contribuído amplamente para a distorção e desqualificação de diversas alternativas educacionais surgidas no contexto brasileiro a partir de meados do século passado.
Cabe aqui assinalar que desde seus primeiros registros na política educacional brasileira, particularmente a educação especial vem se modificando em decorrência das pressões de grupos socialmente organizados, sobretudo os de pais de crianças e jovens com alguma deficiência física, sensorial ou mental, além das condições de oferta e realização do ensino comum ou regular.
Com grande freqüência interpretados equivocadamente, tanto a educação especial quanto o alunado ao qual se destina têm sido alvos preferenciais das justificativas de grande parte das mazelas e depreciações das situações de ensino-aprendizagem da escola comum, principalmente em nível de ensino fundamental.  Na maioria das vezes, tais circunstâncias decorrem mais dos mecanismos de discriminação negativa e preconceito do que de evidências das limitações e prejuízos que podem apresentar ou acarretar ao sistema escolar ou a um determinado estabelecimento de ensino público ou particular.
Nesse mesmo sentido, é oportuno reiterar que Educação Especial e excepcionalidade são condições necessariamente mediadas pela Educação Comum, ou seja, sem a mediação da educação comum não há excepcionalidade e nem educação especial (MAZZOTTA, 1993, p. 139).
Em estudos por nós desenvolvidos, registrados com outros trabalhos, constatamos que essa dicotomia, tem sido explicitada na política educacional brasileira, colocando os elementos segmentados em relação de correspondência direta e necessária com cada urna das dimensões, consolidando uma visão estática; predominantemente na legislação, normas, planos e projetos específicos de educação especial.  A partir da Constituição Federal de 1988 e do Plano Decenal de Educação para Todos, de 1993/2003, a relação do portadores de deficiência com a educação escolar parece estar proposta de acordo com a postura a que denomino visão dinâmica (MAZZOTTA, 1996).
Na última década do século XX a expressão alunos portadores de necessidades especiais passou a constar nas publicações oficiais do Ministério da Educação (MEC) e de diversos autores brasileiros, chegando-se, muitas vezes, à sua banalização com o uso da sigla PNE.  Os alunos são, assim, identificados simplesmente corno PNEs e lhes é proposta a Educação Especial (EE) ou agora a versão "politicamente correta" Educação Inclusiva (EI).  Tais expressões eufemísticas, além de inapropriadas, conferem sentido reificador aos educandos.
A simples mudança de termos, na legislação, nos planos educacionais e documentos oficiais, não tem sido acompanhada de qualquer alteração de significado.  Exemplo disso são os termos "excepcional", "aluno com problemas de conduta", "aluno superdotado", que foram substituídos, respectivamente, por "portador de necessidades especiais", "aluno com condutas típicas" e "aluno com altas habilidades".
Ao invés de representar avanço nas posições governamentais com relação à educação, comum e especial, do portador de deficiência, tais alterações contribuem, muitas vezes, para o esquecimento do sentido de "deficiência" e suas implicações individuais e sociais.  Além disso, tendem a confundir o entendimento das diretrizes e normas traçadas, o que, por conseqüência, acarreta prejuízos à qualidade dos serviços prestados (MAZZOTTA, 1996, p. 199).
No intuito de contribuir para o estudo de algumas implicações práticas da linguagem empregada nas diretrizes, normas, planos e programas educacionais, focalizaremos a questão dos alunos e das escolas com necessidades especiais.
Uma discussão sobre esse tema, poderá sugerir a presença de um tom meramente provocativo, atrativo, dubitativo, imperativo, ou todos eles.  Poderá suscitar tantas outras interpretações, por se tratar da tentativa de discutir condições a serem exploradas e exaltadas como NECESSIDADES; mais ainda quando tratadas como ESPECIAIS.  Além disso, estaremos expressando aqui, mais opiniões que constatações.
São, portanto, muito diversas as possibilidades de enfoque e discussão.  Tentaremos a exposição de algumas verdades e, evidentemente, não da verdade sobre necessidades de alunos e escolas para o século vinte e um.  Por certo, no trato dessa temática, reiteraremos algumas das verdades que vimos esposando, construindo e defendendo.
Mesmo porque, é bom lembrar, a principal característica do ser humano é a pluralidade e não a igualdade ou a uniformidade.  Cada um conhece e interpreta o mundo com olhares muito particulares.  Por outro lado, falar de século XXI, quando estamos despertando para ele, é tarefa bastante temerária e incerta que pode até se configurar como meramente futurista.
Na abordagem de temas sociais e políticos, em particular a educação escolar, podem existir dificuldades de sistematização e exposição decorrentes da própria complexidade da linguagem empregada, configurando-se um erro de expressão e, em conseqüência, de entendimento.  Esse é, também, um risco que aqui corremos.  No entanto, o risco que não corrermos é o da dissimulação das verdades defendidas.
Sabemos que verdades podem ser, em muitos casos, apresentadas como tal em resultado da estratégia de manipulação da informação e do conhecimento, acabando por se transformar em mentiras.  Via de regra isso ocorre quando se tem em vista a conquista ou manutenção do poder no espaço público, entendido aqui como espaço comum a todos.
Porque incluir tais considerações nessa exposição?  Talvez por nossa persistente crença no papel social dos educadores e, ao mesmo tempo, por estarmos assistindo a numerosas situações em que a estratégia da manipulação da informação e do conhecimento tenha se tornado a regra nas relações sociais.
No campo da educação escolar, comum/especial/inclusiva,esse recurso tem sido registrado com muita freqüência em manifestações de educadores em geral e de educadores profissionais.
Em vista disso, como já nos ensinaram muitos filósofos e educadores, é preciso que estejamos alertas ao fato de que as verdades podem ser distorcidas não por erro de entendimento ou constatação, mas, por sua manipulação intencional ou mentira.  Nesse sentido, é oportuno lembrar que essa mentira que supõe o conhecimento da verdade, tem por contrário a veracidade, ao passo que a verdade tem por contrário o erro.  Os dois conjuntos de contrários - mentira/veracidade, erro/verdade - parecem então não terem relação", como esclarece Ricouer (1 968, p. 192).
No mundo contemporâneo, defrontamo-nos com uma grande diversidade de meios e recursos para a manipulação da opinião individual ou de grupos, seja pelas novas técnicas de comunicação somadas à incorporação das massas nos sistemas políticos, seja pelo registro da história com deliberada exclusão dos fatos, ou, ainda, por tantas razões de outras ordens.  Haja vista a perversa padronização, de crenças e comportamentos, acelerada e exacerbada pela globalização.
De que verdade, então, estaremos tratando?  Procuraremos refletir e discutir, sobre Alunos e Escolas com Necessidades Especiais no Século XXI, pelo caminho da problematização e não por aquele já sabido ou rigidamente traçado pela experiência passada, embora incorporando-a em nossa análise.
Como enunciado, vamos expor algumas de nossas crenças com o propósito de reiterar convicções, colocar dúvidas, buscar caminhos, aproveitando essa oportunidade de convívio, ainda que breve, com educadores e educandos, enfim, com cidadãos que estão empenhados e querem a melhoria da qualidade de nossa educação escolar e de nossas vidas.
Nessa análise prospectiva, precisamos saber que o querer tem como objeto projetos, pois a vontade transforma o desejo numa intenção, que decide o que vai ser, [... ] o querer nos leva para o futuro com todas as suas incertezas, geradoras das expectativas do medo e esperança [...], portanto, a vontade é uma faculdade voltada para o futuro, e o futuro, por maior que seja a sua probabilidade, é sempre incerto (LAFER, 1979, p. 102).
Um ponto que nos parece relevante destacar é que alunos e escolas são assim identificados por seus papéis sociais e não, propriamente, por sua configuração individual separada ou isolada de uma contextualização social e cultural.  Enquanto papéis sociais e atores culturais, em suas relações recíprocas surgem necessidades e respostas condicionadas pelo contorno dinâmico e atuante de seu meio ambiente.  Esta faceta, que parece óbvia, tem sido reiteradamente ignorada nas discussões e encaminhamentos desse tema, particularmente no que se refere a educandos portadores de deficiências e que apresentem necessidades especiais.
Alunos e escolas são adjetivados de comuns ou especiais e em referência a uns e outras são definidas necessidades comuns ou especiais a partir de critérios arbitrariamente construídos por abstração, atendendo, muitas vezes, a deleites pessoais de experts ou até mesmo de espertos.  Alertemo-nos, também, para os grandes equívocos que cometemos quando generalizamos nosso entendimento sobre uma situação particular.
Hoje, e provavelmente ainda por muitos anos do Século XXI, as expressões Alunos Especiais e Escolas Especiais são empregadas com sentido genérico, via de regra, equivocado.  Ignora-se, nestes casos, que todo aluno é especial e toda escola é especial em sua singularidade, em sua configuração natural ou física e histórico-social.  Por outro lado, apresentam necessidades e respostas comuns e especiais ou diferenciadas na defrontação dessas duas dimensões, no meio físico e social.
Focalizando a educação de alunos com deficiências físicas, sensoriais ou mentais, é importante salientar que, da mesma maneira que os demais alunos em uma determinada realidade escolar, esses educandos apresentarão necessidades educacionais comuns e especiais em relação ao que deles se espera e ao que lhes é oferecido na escola.  Portanto, somente nas situações concretas em que se encontram os alunos nas escolas é que poderemos chegar a interpretar as necessidades educacionais escolares como comuns ou especiais.
Classificações apriorísticas de alunos com necessidades especiais e escolas com necessidades especiais poderão conduzir a erros ou a mentiras, no sentido exposto anteriormente.  Para demandas educacionais escolares muito diferenciadas das que freqüentemente se apresentam, são esperadas providências, medidas e recursos educacionais escolares diferenciados ou especiais em relação àqueles que se encontram estruturados e disponíveis para utilização.
É preciso, pois, colocar em evidência a importância de se analisar criteriosamente, em sua totalidade, cada situação de ensino-aprendizagem concreta construída pelos alunos e escolas em sua singularidade na sua realidade imediata, sem que se perca de vista a realidade social em que se encontram.  Assim, a despeito de se ter que conhecer as condições gerais ou globais das situações de ensino-aprendizagem sob responsabilidade da instituição escolar, será mediante a análise judiciosa de cada relação aluno-escola, em particular,  que poderão ser identificadas aquelas  necessidades educacionais comuns e especiais a atender.
Na discussão das necessidades educacionais é fundamental não desconsiderar sua interdependência com as demais necessidades humanas, tais como aquelas apontadas nos clássicos estudos de Maslow, ainda que as mesmas não sejam interpretadas de forma hierarquizada.  Assim, necessidades fisiológicas, de segurança, de participação social, de estima ou reconhecimento e as de auto-realização estão intricadas nas necessidades educacionais comuns e especiais cuja satisfação inclui a atuação competente das escolas.
Evidentemente, tais formulações não são tão recentes entre nós e vêm sendo enfatizadas e interpretadas pelos educadores brasileiros a partir da década de 70.  No entanto, cabe assinalar como marco da ampliação do reconhecimento de sua importância, a colocação das necessidades de aprendizagem como tema da Conferência Mundial, realizada em Jomtien, Tailândia, em 1990, da qual resultou a aprovação da Declaração Mundial Sobre Educação  Para Todos e Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem.
Além de reconhecer a educação como direito fundamental de todos, as recomendações internacionais contidas em tais documentos tiveram o mérito de explicitar o sentido das necessidades básicas de aprendizagem.  Segundo tal Declaração, essas necessidades compreendem tanto os instrumentos essenciais para a aprendizagem, quanto os conteúdos básicos necessários à sobrevivência e desenvolvimento para participação ativa na vida social.  Observa, também, que o dinamismo e a diversidade de tais necessidades para crianças, jovens e adultos exige redefinição e ampliação contínuas da educação básica.
Em consonância com essas premissas, a Lei nº 9394/96[5], que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), dispõe que a educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum indispensável ao exercício da cidadania e meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.  Para o nível do ensino fundamental, obrigatório e gratuito nas escolas públicas, define o objetivo de formação básica do cidadão, mediante: desenvolvimento da capacidade de aprendizagem tendo pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; desenvolvimento da capacidade de aprendizagem de conhecimentos, habilidades e formação de atitudes e valores; bem corno o fortalecimento dos vínculos de família, de solidariedade humana e tolerância recíproca.
Essas disposições legais e normativas refletem uma concepção democrática da educação escolar que não comporta qualquer tipo de exclusão, de crianças, jovens ou adultos, sob nenhum pretexto.  Acreditamos que ainda por alguns anos nosso sistema escolar dependerá de auxílios e serviços educacionais escolares especiais ou especializados para, de fato, atender com competência alunos que apresentem necessidades educacionais especiais.
Dentro dos propósitos dessa exposição, convém reiterar que no amplo segmento de pessoas corri deficiência são numerosas aquelas que numa situação escolar não requerem qualquer tipo de auxílio ou serviço de educação especial, podendo se beneficiar dos serviços escolares comuns.  Esta é a opção preferencial, inclusive prevista na Constituição Federal.
É oportuno, ainda, resgatar do Relatório Jacques Delors, elaborado sob os auspícios da UNESCO pela Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, que as aprendizagens necessárias a todo ser humano se estendem por toda a vida devendo, por isso, a educação basear-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.  Em face disso, embora os sistemas escolares tendam a privilegiar o acesso ao conhecimento, é fundamental que a educação seja concebida como um todo e que nenhuma das potencialidades de cada indivíduo seja negligenciada.
Numa sociedade onde a crescente falta de respeito a si e ao outro se exterioriza em discriminação negativa, competição, corrupção, marginalização e exclusão; onde a solidariedade, tolerância, aceitação e cooperação têm sido atitudes raras, em suas variadas instâncias, e a ética tem sido algo cada vez mais distante e desconhecido nas relações humanas, por certo muito se espera da escola.
O fundamental é que ela se firme corno espaço privilegiado das relações sociais para todos, não ignorando, portanto,, aqueles que apresentem necessidades educacionais especiais.  Em outros termos, acolhendo crianças com deficiências e crianças bem dotadas, crianças que vivem nas ruas e que trabalham, crianças de populações distantes ou nômades,   crianças de minorias lingüísticas, étnicas ou culturais e crianças   de outros grupos ou zonas desfavorecidos ou marginalizados conforme aponta a Declaração de Salamanca (UNESCO,1994, p. 18).
No entanto, a efetivação da educação escolar para todos, mediante recursos tais como educação especial, preferencialmente ria rede regular de ensino, para os que a requeiram ou educação inclusiva onde a diversidade de condições dos alunos possa ser competentemente contemplada e atendida, demandará uma ação governamental e não-governamental marcada pela sinergia, que algumas vezes parece ser até enunciada.  Isto sem ignorar que a verdadeira inclusão escolar e social implica, essencialmente, a vivência de sentimentos e atitudes de respeito ao outro como cidadão.
Referências

DELORS, Jacques.  Educação.- um tesouro a descobrir.  São Paulo: Cortez: Brasília, DF: MEC: UNESCO, 1998.
LAFER, Celso.  Hannah Arendt: pensamento, persuasão e poder.  Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
MAZZOTTA, Marcos J. S. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas.  São Paulo: Cortez, 1996.
 
_________.Trabalho docente e formação de professores de educação especial.  São Paulo: E.RU., 1993.
RICOEUR, Paul.  História e verdade.  Tradução F. A. Ribeiro.  São Paulo: Forense, 1968.
UNESCO/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA DA ESPANHA.  Declaração de Salamanca e Linha de ação sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade.  Brasília,DF: CORDE, 1994.
--------------------------------------------------------------------------------
[1] Comunicação como Coordenador de Mesa-Redonda no I Ciclo de Debates Multiprofissionais sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiências, no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo dia 2 de abril de 1998.
[2] Ampliação de texto elaborado para integrar o Relatório de Pesquisa apresentado em março de 2001 ao MACKPESQUISA
[3] Conferência no FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO, em João Pessoa (CEFETIPB), dia 15/06/2001.  Texto publicado nos Anais do Fórum Nacional de Educação.  Educação Brasileira no Século XXI: Desafios e Perspectivas.  João Pessoa (PB), de 13-16 de junho de 200 1. p. 29-36.
[4] A Lei  nº 7853/89 utiliza os termos "alunos portadores de deficiência e pessoas portadoras de deficiência".  O Decreto nº 3298/99, que a regulamenta, define deficiência como "toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano". Define pessoa portadora de deficiência "como aquela que se enquadra nas categorias de: deficiente física, deficiente auditiva, deficiente visual, deficiente mental ou com múltipla deficiência".
[5] A LDB/96 emprega as expressões educandos portadores de necessidades especiais e educandos com necessidades especiais.
27/04/2003 17:57
De: Erica
IP: 200.245.12.221

Site de educação

Obrigada Fátima pela Ajuda!!
Falando em ajuda...
Descobri um site que tem tudo sobre educação.
Espero que encontrem algo de bom!
Eu adorei
www.centrorefeducacional.com.br
13/05/2003 15:51
De: Elizeth
IP: 200.178.243.103

Criação deste forum

Rosa, parabéns pela iniciativa. Penso que sua idéia é muito interessante e pode servir de canal para troca de informações, trazendo vantagens para todo o grupo.
Até mais.Abraços.
Elizeth.
02/04/2003 13:52
De: Rosa (trecy@bol.com.br)
IP: 200.100.153.28

Lu, esse pode te ajudar?

“FORTALECENDO OS PAIS: DESAFIOS DE EDUCAR, HOJE.”
Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga, Pedagoga e Psicopedagoga
marina@iron.com.br
 
 
        Diz o ditado que durante a vida o homem deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Mas um desses objetivos jamais pode ser alcançado sozinho: O FILHO.
        Ele nunca é um projeto pessoal, vai ser sempre uma produção do casal.
        A criança não nasce pronta, dentro dela vai se formando um casal de pais que são espelhados pelos pais reais que cuidam dela.
        Já na gravidez sem que percebêssemos criamos um lugar para aquele bebê que chegará, este lugar vai determinar qual o papel que esta criança terá nesta família. Podemos citar: o filho que veio porque foi desejado, o filho que veio para salvar o casamento, o filho que não foi desejado, o filho que veio para separar, etc...
        Sendo pai ou mãe nos possibilita  entendermos melhor nossos próprios pais, ou não, e  quando  isto acontece realmente não conseguimos nem parar para refletir o que estamos fazendo conosco e o que dirá com nossos filhos.
        É lamentável quando isto acontece, e quantas vezes resolvemos nem pensar sobre o  assunto que incomoda? Então  o caminho mais fácil é  sentirmos indiferentes a tudo, as nossas dificuldades, as nossas decepções, aos nossos ressentimentos que  acreditamos não ter perdão, aos  nossos sentimentos de culpa e  assim por diante. Mas o que não sabemos é que esta indiferença que criamos para nos defender da dor, é a mesma que nos paralisa em vida. A  idéia de   “o que   vier é lucro” não passa de uma boa desculpa para disfarçarmos  que   sentimos  pena de nós mesmos, por não conseguirmos ir  para frente e olhar para a vida de forma diferente. Esta idéia também é boa para tirar de nossos ombros a responsabilidade do dia-a-dia  e  de como estamos educando nossos filhos.
        Outro jeito que costumamos usar é atribuir as desgraças e infelicidades da vida a alguém ou a algum fato, por exemplo:  Deus quis assim, só acontece comigo porque não tem jeito , foi por causa do fulano que estou assim, se eu tivesse dinheiro às coisas seriam bem diferente, me falta saúde para enfrentar tudo isto,   etc..
Realmente quem ouve isto parece  que as coisas não têm jeito mesmo, só algo muito poderoso poderá modificar a vida desta pessoa, e é claro não será ela . Quem não se pegou pensando assim?  É assim quando estamos nos sentindo muito frágeis e impotentes frente a  uma situação ou problema,  deixamos de considerar as saídas ou tentar aguardar um pouco até que as coisas possam se encaixar novamente.
        Portanto estou falando de esperança, sem isto morremos em vida e a vida é para ser vivida e compartilhada com alguém.
        Por quê isto acontece? Ora, voltamos no começo, e nossos pais? Digo os pais que moram dentro de nós, estão cuidando bem da gente? !
        Chegou a hora de refletirmos sobre isto então...
        Hoje os pais mudaram, temos vivido principalmente a partir do meio do século, profundas, contínuas e velozes transformações sociais, políticas e culturais. Em especial atenção para  a tecnologia. Entretanto, por mais que essas mudanças tenham sido promovidas e desejadas por nós para propiciar uma vida mais confortável,  estamos vivendo resultados indesejáveis.
        Destaco três aspectos dessas mudanças:
Em primeiro lugar, a necessidade de atualização e adaptação a esse “novo mundo” globalizado, por conseqüência  o aumento do índice de analfabetos tecnológicos e funcionais, sejam porque não acompanham o ritmo dos avanços tecnológicos ou porque não estão conseguindo perceber o que acontece; outro dado é o alto índice de desemprego em todo mundo pela substituição tecnológica mais eficiente e barata, sendo que estes fatores de uma forma ou de outra atingem  todos nós.
Em segundo lugar, o desejo de termos uma vida mais livre, prazerosa, quase perfeita, alimenta a idéia de que o ser humano pode dominar e alterar a natureza humana, física e psíquica, citamos o projeto Genoma, clonagem, fertilizações em vitro, etc. Por outro lado, com todo o progresso científico, continuamos lutando contra a fome e a miséria, as pessoas continuam adoecendo física e mentalmente apesar de todos  os confortos e  “remédios de última geração”.
        Em terceiro lugar, o questionamento de todas as formas de autoridade, seja no âmbito político, empresarial, médico, educacional, familiar , etc. É muito difícil nos guiarmos pelas próprias pernas, assumirmos as conseqüências do caminho escolhido, modificarmos nossa atitude reconhecendo muitas vezes que erramos,quer seja em casa, no trabalho, com os amigos, no nosso voto.
        Portanto depois disto tudo, os adultos estão se sentindo muito confusos, desorientados e atarefados com tantas mudanças e conflitos para resolverem. Se nós adultos estamos assim, o que dizer das crianças e adolescentes ? Afinal, não somos o que eles irão ser amanhã ?
        O que você vai ser quando crescer? Uma pergunta muito comum  antigamente, mas hoje caiu em desuso, porque as crianças e adolescentes não estão querendo crescer.
        Crescer para quê? Para virar um adulto aflito, sem tempo, que só trabalha (quando tem trabalho senão é um bico aqui ou ali), anda nervoso, de mau humor, adulto é alguém desencantado da vida, é um chato, quando não é alguém,que não se deve confiar porque é perigoso. Infelizmente é assim que muitas crianças e adolescentes estão vendo os adultos.
        Apesar de todas as transformações deste século, o homem continua nascendo como um animal mais frágil e vulnerável do planeta. Não pode contar unicamente com seus instintos para viver, ele continua sendo dependente de outro ser humano que cuide dele, que dê afeto, proteção, segurança, o eduque para a vida, transformando-o em um ser humano digno deste nome.
        E como as crianças e  os adolescentes estão sendo cuidados?
        As crianças e os  adolescentes  estão sendo gerados e criados por adultos que estão com dificuldades de serem bons modelos de espelhos.Não estão conseguindo transmitir a idéia de que a vida vale a pena a ser vivida, que vale a pena investir no trabalho honesto, digno, nos nossos sentimentos e sonhos, ter  esperança no amanhã.
        Em função disso, há uma crise generalizada de auto-estima nos adultos, que são expressas das mais diversas formas. Há aqueles que se entorpecem com álcool, com o  trabalho, com o futebol, com a maconha, com a fofoca da vizinhança, com a saúde que nunca vai bem, com o bingo, com a violência. A lista pode ser enorme, porque de alguma forma estão tentando escapar da realidade a ser enfrentada.
        Enquanto isto, as crianças e as adolescentes  vão à escola e os professores verificam o tamanho da catástrofe. Além, obviamente de estarem passando pelo mesmo processo.
        As crianças estão chegando à escola, infelizmente, sem a estruturação necessária básica, que deveriam ter. Os adolescentes então se rebelam enfrentando e agredindo qualquer forma de autoridade,  desrespeitam regras e leis, sem falar da agressão ao ambiente escolar.
        Porém para dar afeto, atenção, cuidados, proteção, delicada firmeza, modelo de autoridade que uma criança ou adolescente precisa, é necessário que o adulto tenha razoável estoque destes conteúdos dentro de si, ou seja amor próprio suficiente, segurança emocional , confiança nos seus valores, compreensão suficiente do mundo ao redor para dividir com os filhos.
        Não são exatamente estes conflitos que a escola está vivendo? Estes conteúdos emocionais que os pais não estão conseguindo passar para os filhos são atribuídos para a escola, ou melhor para o professor . São atribuídas  as falhas das figuras parentais, e não só a este profissional de educação  mas a profissionais de saúde, da igreja, etc., papéis que são deles,  mas sentem-se incapazes de exercê-lo.
        E o que fazer com isto?
        Uma primeira idéia é que todos nós estamos no mesmo barco, e se não nos unirmos não chegaremos à praia, afundaremos no mar. Portanto o medo , a insegurança,  o cansaço, a falta de afeto está em todos nós.
        Quantos de vocês já tinham parado para pensar sobre estas mudanças do mundo e que estivessem atingindo a todos?
E  sobre os nossos medos, as nossas  carências, sobre nossa brutalidade e violência com nossos filhos, pois é mais fácil bater, castigar uma criança, do que  refletir que estamos  com raiva do chefe que chamou nossa atenção ou que  estou revoltado porque ganho pouco e queria  comprar uma porção de coisas e não pode ser agora!. Em nome da minha frustração, impaciência  etc, uso e abuso da minha autoridade ou da minha irresponsabilidade de pai ou mãe deixando de cuidar dignamente dos meus filhos, já que são meus faço o que quero. Também não é mais bem assim, temos leis  e órgãos públicos que protegem as crianças e adolescentes e exigem dos pais isto.Podemos citar o Estatuto da Criança e Adolescente, os Conselhos Tutelares, a Promotoria da Infância e  da Juventude, etc.
        Nós enquanto pais precisamos sentir orgulho pelos nossos filhos, por nossa capacidade de trabalhar honestamente, por dar pequenos confortos com dignidade, por não saber muitas vezes uma porção de coisas e poder perguntar ou dizer que não sabemos ou que vai procurar saber com alguém ou que o próprio filho pode ensinar.
        Também costumamos dizer que não temos tempo, que estamos cansados, que não temos jeito para dar abraço e beijo. Porém quem disse que é só assim que se demonstra carinho, cuidado e atenção ? Podemos pedir para  os nossos filhos brincarem por perto,  podemos ver suas lições,  podemos admirar seus progressos, seu crescimento...
        Outro fato que acontece muito é aquela frase: eu não sei conversar com meus filhos. Os pais podem  contar a história da família, mostrar fotos dos parentes. Isto é muito útil para as crianças e adolescentes, para nós adultos também, temos a possibilidade de rever muitas coisas boas da nossa infância  e dar novo significado as coisas amargas da vida.  Os pais que se orgulham e sentem carinho por sua infância são muito valorizados pelas crianças, além de estarem conhecendo sua origem, seus antepassados, tendo um contato com os pais.
        Falar sobre a tradição da família, dos parentes o que faziam, o que gostavam, que comida comiam, seus costumes  é um dos referenciais mais poderosos do ser humano. Estes dados ajudam a família a se fortalecer, sentir-se unida, perceber as gerações de antepassados e fazer comparações, também estimula os  sentimentos de continuidade, crescimento e desafio para vislumbrar o futuro.
        O que os pais precisam saber é que todos nós temos nosso valor, por mais insignificante que isto possa parecer, porque estou falando de nossa auto-estima  e nosso autoconceito que anda muito desvalorizado  pela rapidez dos acontecimentos.
        Notamos esta onda de violência em todas as camadas sociais, a imoralidade, a falta de ética, os programas de TV usando abusivamente de cenas de sexo, sensacionalismo, notícias tendenciosas para beneficiar alguns, comerciais  que induzem ao consumo de determinados produtos, etc.  Isto leva todos nos  a um sentimento de enfraquecimento e impotência frente aos acontecimentos.
        Sempre nos ensinaram que temos que acertar, o que não contaram é que para acertar  precisamos aprender com o erro e não ter medo de errar. Parece fácil? Pois então  vamos pensar um pouco sobre essas questões :
        Quantos de nós pedimos desculpas quando cometemos um erro? Quem de nós reconhece que ofendeu, xingou ou falou demais na hora que estava muito bravo, irritado, perdeu a cabeça e fez bobagem?  Quem de nós acha que se nosso filho apanhou do amigo na escola ou na rua deve resolver o problema dando outro tapa? E se alguém de nós achasse uma carteira com dinheiro, um objeto devolveria ? Procuraria  achar o dono? Quem de nós acha que sempre é bom dar um jeitinho de levar vantagem em tudo? Qual seria o nosso preço para realizar algo ilícito?  Qual é o  nosso limite de tolerância com nossos filhos ? Quantas vezes nós escolhemos atender uma necessidade nossa negligenciando a dos nossos filhos? Quantas vezes atendemos as necessidades dos  nossos  filhos e quase nunca a nossa? Quantas vezes nós  assistimos a  um programa de TV , por exemplo “Ratinho” perto dos nossos filhos e eles , quando são mais corajosos, fazem perguntas e  nós deixamos nossos filhos  sem resposta   porque  também não sabemos a resposta? Quantos de nós nos queixamos dos nossos filhos que não nos respeitam, que se vestem  de um jeito impróprio, que não nos ouvem? E nós não estamos fazendo isto com eles? Quantos de nós ficamos preocupados com nossos filhos  de se contaminarem com a  AIDS?  E a gravidez precoce? Temos conversado sobre estes assuntos com nossos filhos, ou irão aprender na rua, se tiver sorte na  escola? E sobre  drogas,  nós estamos conversamos  sobre isto?  Hoje temos vários tipos de substâncias que  viciam, desde xaropes infantis, como bebidas energéticas, que são compradas facilmente!
Seguiriam outras questões , mas vamos parar por aqui , porque acredito que foi suficiente para refletirmos vários valores e posturas que temos  constantemente.
        Pois bem, a saída é começarmos a questionar tudo isto, um exemplo disto é o que estamos fazendo agora, pensando sobre estes assuntos.Todos notaram que não é nada fácil parar para  pensar sobre estas perguntas que  provocam em nós muita angústia e ainda  exige de nós  respostas apropriadas a cada situação. O que podemos concluir e aprender  com isto?
Precisamos nos unir com alguém para discutirmos tanta coisa. E é aí que entra o papel da  escola . Precisamos transformá-la em nossa aliada e não num depósito dos nossos problemas. Por exemplo, podemos solicitar que a escola crie cursos, oficinas,  palestras com profissionais,que as  reuniões de pais sirvam também  para discutirmos  temas polêmicos ou novidades da ciência , e não só o desempenho dos nossos  filhos, ouvir  reclamações, pedir a colaboração para APM, etc., não desqualifico estes avisos,  mas acredito que podemos conviver com as duas propostas e  com certeza a carga de problemas e conflitos  escolares diminuirá.
O  que mais ouvimos hoje em dia é a falta de limites dos pais com os filhos e por conseqüência a agressividade, a violência, o que está acontecendo? Se considerarmos que os pais sentem-se muito culpados por estarem fora de casa por muitas horas e que a vida que levam não é uma maravilha, já é um bom começo. Normalmente agimos por compensação de nossos sentimentos, precisamos reconhecer que o mínimo que ficamos com os filhos deverá ser para cuidar e educar mesmo que isto pareça firmeza demais, pois só parece porque é necessário.
A violência está sendo gerada por vários fatores sociais, econômicos, culturais e emocionais sem dúvida, mas se  perdermos a noção do que é ser tratado bem, com respeito, com diálogo, com humor, com amor, com ética, realmente só nos resta agir pela impulsividade, pela crueldade, pela vantagem, pela vingança ...  A  ordem neste momento é o diálogo, é permitir que nossos filhos  brinquem  de bandido-moçinho, polícia-ladrão, que possam elaborar regras e leis, quem é do bem e do mal, através das brincadeiras  tudo isto é possível sem machucar ninguém . O ser humano é o único animal que precisa aprender a canalizar sua agressividade de forma adequada e criativa. Os adolescentes questionam isto o tempo todo, porque estão  carentes  por seus pais reconhecerem ,  que vale a pena ser honesto, digno, ter respeito,etc...No momento a sociedade oferece poucos modelos identificatórios bons, poderia citar Sandy e Jr...
O que sabemos em Psicologia é que o ser humano guarda sempre dentro de si a emoção mais forte, portanto temos que ter cuidado ao repreendermos nossos filhos com castigos, gritos, ameaças, chantagens, surras, comparações, humilhações,  etc...Se isto estiver acontecendo conosco, indica que  algo vai mal na educação de nossos filhos.  A grossura deseduca porque fica a dor. Temos sempre que começarmos por nós mesmos  questionando porque estamos agindo assim, porque estamos perdendo a autoridade, porque estou cedendo tanto, geralmente encontramos as respostas em nós mesmos,  às vezes temos filhos difíceis, porém  “é o maior que cuida do menor”.
Qualquer um sempre tem algo para dividir, ensinar, compartilhar, precisamos aprender a conviver com a diversidade de valores, crenças, raças, e estamos aprendendo isto agora, esta é uma das vantagens do progresso, à necessidade de nos unirmos, de nos conscientizar que somos  agentes de mudança e não mero espectador dos acontecimentos.
A felicidade dos nossos filhos geralmente inclui também a alegria dos pais. Portanto a melhor saída é caminhar próximo dos filhos, pois só assim todos vão chegar ao mesmo objetivo.
 
 
SUGESTÕES PARA LEITURA:
 
“Educar Sem Culpa”  Tânia Zagury  -  Ed. Record.
 
“Sem padecer no Paraíso”  Tânia Zagury  –  Ed. Record.
 
“A Auto –Estima do Seu Filho”  Dorothy C. Briggs  –  Ed. Martins Fontes.
 
“Seja Feliz Meu filho”  Içami Tiba  –  Ed. Gente.
 
 
VISITE A INTERNET COM TEXTOS DA AUTORA:
 
        www.ola3.com/item.asp?Item=7375 - Fortalecendo os Pais
 
        www.ola3.com/item.asp?Item=7367 - Por que estão difícil aprender a ler e a escrever
 
        www.ola3.com/item.asp?Item=7539 - Por que falamos em Ética, hoje?
 
        www.ola3.com/item.asp?Item=7541 - Alfabetização: dilema  nosso de cada dia
 
        www.ola3.com/item.asp?Item=7820 - Projetos Colaborativos na Internet
 
        www.ola3.com/item.asp?Item=7821-Jovens em Ação: não sejam inocentes na Internet.
28/03/2003 09:22
De: Luciana (lurpiovezan@hotmail.com)
IP: 200.205.81.50

Projeto

Tema provável da monografia:O que pensam os pais da finalidade da educação infantil...Terei que fazer algumas modificações neste tema, pois saber exatamente oque os pais pensam vai ser difícil...Na verdade seria qual o sentido que os pais veem na ed. infantil, como se da o desapego e o desvincilhar.Seria algo neste sentido, não sei se deu para entender...
Rosa, muito legal sua iniciativa, beijos Luciana
Adriana adorei sua metáfora sobre a cana, também estou no mesmo barco, vamos deixar que as águas nos levem...
14/04/2003 21:40
De: (drifranzolin@bol.com.br)
IP: 200.230.66.222-10.10.4.37

Re: Informação

ROSA VC PEGOU APOSTILA PARA MIM NÃO PUDE IR PORQUE TRABALHEI ESSE FIANL DE SEMANA.
O QUE A VERA DEU?
PERDI COISAS IMPORTANTE PELO JEITO.
FICO SEM VER TODO MUNDO FICO COM SAUDADE DE TODOS VIRAM!!!!!!
ROSA MANDE MENSAGEM PARA A JULIANA MINHA FILHA ESTOU MAIS CONTENTE MEU PROJETO ESTÁ CAMINHANDO
ABRAÇOS
AH! MEU CACHORRINHO MORREU NA QUARTA-FEIRA FOI UMA CHORADEIRA SÓ......
31/03/2003 19:43
De: Rosa (trecy@bol.com.br)
IP: 200.100.154.186

Brinquedoteca

Achei um livro sobre brinquedoteca Veridiana
Brinquedoteca - O Lúdico em Diferentes Contextos
AUTOR: Santa Marli Pires dos Santos
EDITORA: Vozes
Espero que sirva.
Seu IP: 54.159.113.182 (os IP's são armazenados por questões de segurança)
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